A Editora Fiocruz lança livro e o GESP apresenta um capítulo sobre o avanço da COVID-19 no Amazonas.

O volume segue uma linha cronológica para traçar as primeiras estratégias de combate ao espalhamento da doença. “Os modelos matemáticos baseados em dados preliminares gerados nos países inicialmente atingidos foram usados para estimar os possíveis efeitos da pandemia no Brasil”, afirmam os organizadores, no texto de apresentação.
Porém, as muitas particularidades do país entraram em jogo logo no início, fazendo com que cientistas, epidemiologistas e pesquisadores levantassem uma série de aspectos e impactos diantes de um contexto com diversas variáveis e especificidades. “Num país tão imenso, heterogêneo e desigual, foi um grande desafio, através de notas, boletins, relatórios técnicos e webinários, discutir a evolução da pandemia no Brasil”, relata Carlos Machado, coordenador do Observatório Covid-19 Fiocruz.
Em um cenário de ampla vulnerabilização de determinados grupos sociais, os especialistas envolvidos na obra consideram que as “particularidades brasileiras, sua configuração territorial, profundas desigualdades sociais, estrutura do sistema de saúde e condições de vida e trabalho exigiram uma adaptação desses modelos e análises de grupos populacionais específicos que poderiam se constituir como mais vulneráveis à pandemia e, por isso, requereriam atenção especial e políticas específicas”, ressaltam os organizadores.
Em três partes, que englobam um total de 25 capítulos, o título agrega os muitos desafios – com ênfase nas equipes técnicas da Fiocruz – para a avaliação de cenários epidemiológicos diante da chegada do vírus Sars-CoV-2 ao país. “Houve um esforço imenso da comunidade científica, e aqui no nosso país não foi diferente, para avaliação desses cenários epidemiológicos, com o uso de dados reportados nos nossos sistemas de vigilância, com os usos de modelos matemáticos e estatísticos e os painéis de acompanhamento dos dados, inclusive para formulação de estratégias de mitigação e supressão da transmissão”, explica Daniel Villela, pesquisador do Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc/Fiocruz).
Os esforços para produzir e disseminar rapidamente conhecimentos que têm como base os registros de casos, hospitalizações e óbitos foram amplamente utilizados para subsidiar políticas e ações de enfrentamento à pandemia no Brasil. Esse conjunto de iniciativas está no âmbito da temática cenários epidemiológicos, um dos quatro grandes eixos do Observatório Covid-19 Fiocruz, que inclui ainda medidas de controle e organização dos serviços e sistemas de saúde; qualidade do cuidado, segurança do paciente e saúde do trabalhador; impactos sociais da pandemia. Dessa forma, o conteúdo do livro não esgota a amplitude e a diversidade de temas que envolvem a Covid-19, reunindo uma ampla comunidade científica que gira em torno dos temas de saúde pública. “Toda esta produção teve como base e estímulo a procura de respostas para os problemas que estavam se apresentando em determinado momento da pandemia, bem como o diálogo com a produção científica advinda de diversos campos de saber realizada e publicada em seu curso”, destaca o texto de apresentação.
Além dos três organizadores, quase 100 pesquisadoras e pesquisadores participam do volume com as mais diversas contribuições, mapeamentos, estudos, apontamentos e reflexões. São especialistas com experiências nas mais variadas áreas, como medicina, epidemiologia, psicologia, estatística, história, biologia, enfermagem, engenharias, antropologia, geografia, farmácia, tecnologia da informação, comunicação, sociologia, entre outras.
Sobre os organizadores
O historiador Carlos Machado de Freitas é mestre em Engenharia de Produção, doutor em Saúde Pública e pesquisador titular da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). É editor científico da Editora Fiocruz e coordena o Observatório Covid-19 Fiocruz.
O geógrafo Christovam Barcellos é mestre em Ciências Biológicas e doutor em Geociências. É pesquisador sênior do Icict/Fiocruz, onde é responsável pelo MonitoraCovid-19. É professor da Ensp/Fiocruz e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O engenheiro eletrônico Daniel Antunes Maciel Villela é mestre e doutor em Engenharia Elétrica. Pesquisador em saúde pública na Fiocruz, onde é coordenador do Procc/Fiocruz e coordenador adjunto do Programa de Epidemiologia em Saúde Pública da Ensp/Fiocruz.

A COVID-19 no Amazonas e a participação de pesquisadores do GESP
O capítulo de livro intitulado A Pandemia pelo Sars-CoV-2 no estado do Amazonas, de co-autoria de Rodrigo Tobias e Bernardino Albuquerque, ambos pesquisadores da Fiocruz Amazônia e membros do GESP, analisou a evolução da Covid-19 no território amazônico, observados os aspectos da distribuição da doença na capital e de regiões de saúde do estado do Amazonas, o mapeamento de casos na região de tríplice fronteira internacional e a caracterização genética do vírus ao longo do ano de 2020.

Download gratuito: https://books.scielo.org/id/zx6p9
Saiba mais sobre o livro: https://bit.ly/2ZS33mo
Assista o vídeo de lançamento da obra aqui https://www.youtube.com/watch?v=VcSU_yJu4WM

IEPS relata os desafios e as boas práticas de saúde na Amazônia Legal

Trata-se de Estudo Institucional nº 5 de Fevereiro de 2022 coordenado pelo Dr. Rudi Rocha, Marcela Camargo, Lucas Falcão, Mariana Silveira e Gabriela Thomazinho que sistematiza dados atualizados sobre a situação de políticas de saúde na Amazônia Legal. No campo da oferta de serviços de saúde e condições de acesso, o estudo recomenda que os governos estaduais assumam o protagonismo na coordenação do planejamento regional integrado, de forma conjunta a municípios e União, e esferas de pactuação. No campo da saúde indígena, recomenda-se ainda o enfrentamento da agenda das políticas de recursos humanos necessários para realizar a saúde culturamente adaptada com a criação de incentivos à formação e à fixação de profissionais da SESAI, a valorização dos profissionais atuantes na linha de frente das ações (como é o caso dos AIS), além da composição de equipes de saúde formadas também por profissionais indígenas das próprias comunidades. Ressalta ainda que as especificidades geográficas da Amazônia não deveriam ser vistas como um impeditivo à adequada oferta e organização de serviços de saúde, e sim como um contexto específico que requer respostas adequadas e, sobretudo, coordenação e colaboração entre instituições.
Veja o relatório na íntegra acessando aqui. Disponível em: https://ieps.org.br/wp-content/uploads/2022/02/AMZ2030-28-Saude-na-Amazonia-Legal.pdf. Acessado em 15.04.2022.

Financiamento da saúde no Brasil é destaque em comissão especial da Lancet Global Health

Desde a restauração da democracia no final da década de 1980, o Brasil desenvolveu um dos maiores e mais inovadores serviços de Atenção Primária à Saúde (APS) do mundo. A Estratégia Saúde da Família (ESF), que oferece APS por meio do sistema público de saúde, ampliou o acesso aos serviços primários de saúde para mais de 130 milhões de pessoas.

Para sustentar a ampliação nacional, um mecanismo inovador de financiamento denominado Piso da Atenção Básica (PAB) foi estabelecido, canalizando recursos federais diretamente aos municípios para prestar serviços, e garantindo uma fonte estável de financiamento para a APS por um período superior a 20 anos. No entanto, as atuais reformas propostas para o financiamento da saúde ameaçam as conquistas e as transferências federais para a APS podem ser severamente restringidas.

O artigo, escrito por Adriano Massuda, Ana Maria Malik, Gabriela Lotta, Renato Tasca e Rudi Rocha (diretor de pesquisa do IEPS), e publicado pela Comissão Especial da “Lancet Global Health” investiga como o PAB contribuiu para a expansão bem-sucedida da ESF e moldou o modelo de APS no Brasil, com os municípios tornando-se responsáveis pela organização e financiamento da APS. Também destaca os desafios na ampliação da ESF em um país altamente desigual e as consequências potenciais da mudança do mecanismo de financiamento, especialmente nesses tempos de crise.

Esses resultados complementam a análise sobre a evolução do modelo de APS no Brasil nas últimas décadas, feita por Matías Mrejen, Rudi Rocha, Chris Millett e Tom Hone, e publicada recentemente na “Lancet Regional Health Americas”.